Curtinhas

De Profundis (Idem, Espanha/Portugal, 2007)
Dir: Miguelanxo Prado

Miguelanxo Prado, famoso criador de HQ’s galego, resolveu se enveredar nos rumos da animação cinematográfica nesse seu primeiro longa De Profundis. A despeito de seu belo traço, é uma pena que a experiência do filme seja bastante vazia, se escorando em muito na beleza visual da narrativa, sem diálogos, acompanhada de uma bela trilha sonora instrumental. A história conta a fábula do pintor que parte em viagem num navio que acaba naufragando. Assim, oniricamente, o personagem adentra o fundo do mar e é levado a conhecer as mais belas e bizarras criaturas das profundezas. Apesar do tom poético, a narrativa do filme é por demais arrastada e, em vários momentos, não quer dizer muita coisa. Um tiro n’água.

Como Treinar Seu Dragão (How to Train Your Dragon, EUA, 2009)
Dir: Dean DeBlois e Chris Sanders

Simpaticíssimo o nome filme da Dreamworks. Na verdade, faz um tempo que o estúdio nos devia uma produção tão boa, a despeito do que a Pixar vem nos oferecendo em termos de técnica e roteiro. Como Treinar Seu Dragão é praticamente uma resposta a esse cinema que há muito tempo tem conquistado grande parte do público, das mais variadas idades. A história de Soluço, um aprendiz de viking que precisa se preparar para ser um exímio matador de dragões, mas acaba fazendo amizade com um desses seres, pode parecer até bobinha demais e nada surpreendente, mas é a técnica cada vez mais competente na recriação da “realidade”, aliada a um texto bem desenvolvido e arranjado, seus maiores trunfos. E apesar de se configurar como um longa sobre ser diferente e também sobre a amizade, com aquela pegada cativante e família, o filme é, acima de tudo, uma deliciosa aventura.

A Casa dos Espíritos (The House of the Spirits, EUA, Alemanha/ Dinamarca/Portugal, 1993)
Dir: Bille August

Eu entendo o sentido das adaptações literárias para o cinema e não cobro verossimilhança na transposição uma vez que se trata de linguagens distintas e peculiares em seus artifícios. Mas mesmo assim há casos em que uma adaptação não deixa de parecer menor ante seu material original pelo simples fato de não haver consistência na narrativa. É o caso desse A Casa dos Espíritos, baseado em livro homônimo da chilena Isabel Allende, história de uma família que ultrapassa gerações, conflitos, fantasias e amores. Não que a história seja mal contada, mas são tantos acontecimentos relatados, tantos personagens importantes, que o roteiro nunca consegue ser consistente em nenhum momento. Dá a impressão de adaptação mecânica e sem emoção, roteirizada pelo próprio diretor. A coisa se torna ainda mais vergonhosa porque Bille August possui duas Palmas de Ouro no currículo!

Glória (Idem, EUA, 1980)
Dir: John Cassavetes

Provavelmente esse é o filme mais comercial de John Cassavetes, cineasta norte-americano considerado pai do cinema independente nos EUA, mais afeito a dramas densos, de complexidade e construção de personagens. Aqui, ele se aventura no drama policial quando os pais de um garotinho é assassinado pelo chefe de uma quadrilha de mafiosos. Glória (Gena Rowlands), ex-mulher do líder do bando, agora afastada da bandidagem, precisa tomar conta do garoto, agora perseguido por ter em mãos um livro de registros bastante incriminador. Por mais que se trate de um filme de gênero, o diretor não cai na armadilha de encher o filme de cenas de ação. Quando isso acontece, as imagens veem com força e intensidade; o forte ainda segue sendo os personagens, e a relação dúbia de Glória com a máfia é uma das melhores coisas do filme. Gena Rowlands encarna a mulher durona com uma segurança invejável.

PS: A semelhança da sinopse desse filme com o longa nacional Verônica é enorme. Mas o Cassavetes é bem melhor.

3 thoughts on “Curtinhas

  1. Tenho vergonha de não ter assistido a nenhum filme do Cassavetes até hoje. Tenho 2 aqui em casa (Uma Mulher sob Influência e Faces), mas, até hoje, nada.
    Ah, e A Casa dos Espíritos é um melodrama cheio de problemas mesmo, mas acho que eu daria pelo menos mais uma estrelinha aí… nem que seja pela atuação boa do Jeremy Irons.

  2. Wallace, esse é meu único Cassavetes e também tenho Uma Mulher Sob Influência aqui, mas não vi ainda. Tenho uma grande falta com o cinema dele. E A Casa dos Espíritos não me desce, por melhor que sejam as atuações. Péssimo!

    De fato Gustavo, esse tipo de coisa é só para ganhar em cima do projeto, é o tipo de filme comprado, que não possui pretensões artísticas. Nulidade total!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Arquivos