Desperdício de sangue

463. A Morte do
Demônio

(Evil Dead, EUA, 2013)

Dir:
Fede Alvarez
É
preciso mais do que saudosismo para se fazer um bom filme de terror. A Morte do Demônio se beneficia do
sucesso que a trilogia trash Uma Noite Alucinante fez com os fãs do
gênero para ressurgir agora, mas sem grandes atrativos para além da necessidade
de querer ser grotesco, simplesmente. Os resultados soam duvidosos porque reprocessam lugares-comuns
e possuem fragilidades narrativas que só denota um projeto explorando o lado
gráfico (especialmente envolvendo os limites e degradação do corpo) que tanto faz
parte dos filmes do gênero.
E
não há nada contra o fato do filme ser um remake
de um clássico do horror, até porque o tratamento estético aqui é bem distinto.
E isso talvez seja um problema porque se no filme de 1981 as limitações
técnicas funcionavam muito bem como roupagem de produto B, o mesmo não acontece
aqui. Não dá simplesmente para relevar os deslizes de roteiro em prol dos
efeitos de medo e repulsa que a história tenta provocar, com seu evidente gosto
pelo gore.
O
filme abusa dos clichês do terror com adolescentes, mesmo tentando acrescentar
algumas coisas novas no enredo, em termos dramáticos, a fim de diferenciá-lo de
sua versão original. O conflito pessoal de Mia (Jane Levy) que luta para manter distância das drogas é algo que torna a coisa toda muito pertinente, e
não somente um bando de jovens que busca se divertir se enfurnando numa casa
sinistra no meio do mato.
Pena
que o filme não tenha esse mesmo cuidado para tratar das minúcias de roteiro,
daí que uma opção mais livre dramaticamente poderia até ser mais condizente com
o projeto. De qualquer forma, o filme realiza um movimento interessante em que o
terror invade o drama daquele grupo que se junta ali para deixar Mia longe do
vício.
Mas
os maiores problemas aqui são os personagens idiotizados (o rapaz vê no livro
os avisos para não continuar lendo as invocações demoníacas e o que ele faz?
Continua lendo…), o roteiro com muitos momentos forçados e o desespero quase infantil
por sangue em excesso (especialmente na parte final). Assim, o fator medo/terror
acaba se minimizando e se perdendo.

4 thoughts on “Desperdício de sangue

  1. Pois é, Rafael. Embora ache o terceiro ato a melhor coisa que há em todo o filme, não há como não concordar com a sua opinião. Detesto o desleixo como toda a narrativa é construída. Toda aquela construção dramática dos primeiros minutos não passa de pretexto para fazer um filme que, ao contrário do original, não diverte nem um pouco com todo o gore sendo vomitado na tela. Sam Raimi errou feio ao viabilizar essa refilmagem para lá de desnecessária.

  2. É Alex, acho que eu também concordo que no terceiro ato as coisas se tornam melhores, mas até chegar lá muita coisa é forçada por um roteiro que tenta se passar por filme B quando não é. É como um projeto incongruente.

  3. Poxa, eu gostei bastante! Faz tempo que o cinema estadunidense não entrega um terror decente e, para mim, "A Morte do Demônio" terminou com esse jejum. Fiquei muito angustiado e também me diverti bastante com o resultado!

  4. É Matheus, muita gente tem gostado do filme, eu que não fui com a cara mesmo. Acho que existe um exagero ali a fim de impressionar, sem falar de problemas de construção de personagens, tudo muito estúpido. Não curti mesmo.

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