Círculo vicioso

Vidas que se Cruzam (The Burning Plain, EUA/Argentina, 2008)
Dir: Guillermo Arriaga

Vidas que se Cruzam é o nome mais genérico para definir os trabalhos de Guillermo Arriaga, desde os filmes que ele roteirizou, contando com a parceria (hoje abalada) de Alejandro González Iñárritu, até essa sua estreia por trás das câmeras. Seu estilo de escrita é o maior obstáculo pois emperra não só no problema da repetição, mas também na crença de que isso basta para criar um bom filme.

Se em Amores Brutos, uma obra-prima, o que menos importava era como as histórias se entrelaçavam e em 21 Gramas a dupla tenha proposto uma interessantíssima narrativa esfacelada, as coisas começam a ficar cansativas a partir de Babel, em que a riqueza dos personagens não parecia encontrar espaço no filme, e piora com o péssimo O Búfalo da Noite (dirigido por Jorge Hernandez Aldana), um filme totalmente desimportante.

O maior erro de Vidas que se Cruzam é insistir num mesmo recurso narrativo, adotando o mesmo ar de drama carregado, quando seus personagens pouco fazem para criar identificação com o espectador. A história vai e volta no tempo enquanto tentamos montar um quebra-cabeça narrativo que parece ser mais importante do que o próprio desenvolvimento dos personagens e seus conflitos.

Aquele tom humanista para a vida das pessoas e seus dramas particulares parece ser um detalhe, quando deveria ser o grande foco do filme, pois trata de relações complexas, seja entre pais e filhos, seja em relacionamentos amorosos.

Nem mesmo as belas interpretações de Kim Basinger e José María Yazpik, que travam um caso extraconjugal, tentando escondê-lo da família, quanto o desequilíbrio emocional representado por uma inspirada Charlize Theron, conseguem dar muita substância ao filme. A história começa com a morte desse casal de amantes num trailer depois de uma explosão aparentemente acidental, e avança em meio as causas e consequências dessa relação.

A frieza com que a história vai avançando parece se fortalecer com essa própria estrutura, impressão forte de dejà vu que torna tudo mais cansativo e pouco original. O que nos faz crer que uma mudança de ares faria muito bem a Guillermo Arriaga e seu cinema auto-importante.

45 thoughts on “Círculo vicioso

  1. Rafael, eu gostei de "Vidas que Se Cruzam". E muito. Confesso estar um pouco cansado de dramas como este, que se desenvolvem através de uma estrutura nada linear. É verdade que você saca tudo o que está acontecendo antes do terceiro ato se apresentar, mas acho que a história é contada com tanta sinceridade por Guillermo Arriaga que acabou me atingindo. As interpretações femininas são memoráveis, especialmente a de Kim Basinger (fazia tempo que não a via tão bem), e Arriaga se saiu muito bem em seu primeiro trabalho como cineasta.

  2. Vi no Festival do Rio do ano passado. Filme insosso. Pouca coisa se salva. Acho que o Iñarritu (que também não é lá isso tudo) está fazendo falta para o Arriaga. Se bem que, na minha opinião, o melhor filme feito sobre um roteiro seu até hoje foi TRÊS ENTERROS, do Tommy Lee…

  3. Pois é Gustavo, também não me atrai (pelo menos, não mais), mas mesmo assim eu tenho curiosidade nos filmes dele, principalmente nesses independentes do Iñárritu, quem sabe ele não vai mehorando?

    Alex, eu também acho que a história é sincera, que o Arriaga acredita em seus personagens, mas é o estilo dele que já tá passado e que faz com que a história se preocupe mais com a forma como a narativa vai ser "montada" do que necessariamente com o desenvolvimento dos dramas de cada personagem. O filme se prerde nessa busca por uma grande profundidade. Mas confesso que estou contigo quanto às atuações. Kim Basinger e Charlize Theron reinam no filme.

    Bela lembrança, Wallace. Três Enterros é sensacional, prova de que Arriaga ainda tem salvação, caso deixe de lado esse cinema em que a forma é mais importante do que o desenvolvimetno dos dramas de cada personagem. O filme é mesmo insosso.

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