Super-didático

Lanterna Verde (Green Lantern, EUA, 2011)

Dir: Martin Campbell

Talvez seja o (bom) costume de adorar os filmes de super-heróis da Marvel e sua qualidade não só técnica, mas também narrativa, que faz esse Lanterna Verde empalidecer um tanto. Sei que as comparações não devem servir de parâmetro, mas vendo o filme dá a impressão de uma história didática demais sobre a formação de um herói e a tomada de responsabilidade que sua nova condição exige.

Se a expressão “com grandes poderes veem grandes responsabilidades” pode soar batida e desgastada aqui é porque o filme prefere se manter nesse campo de previsibilidades, sem trazer nada muito mais interessante à história. Particularmente, não conheço a fundo a HQ original em que foi baseado o filme. De qualquer forma, o longa não se arrisca, mas também não chega a ser desastroso.

Hal Jordan (Ryan Reynolds) é esse piloto de aeronaves, um tanto irresponsável, que será escolhido para fazer parte da tropa dos lanternas verdes, poderosos soldados intergaláticos que formam uma espécie de guarda de todos os planetas e galáxias do universo. O surgimento de Parallax, inimigo maléfico que pretende dominar o cosmo, surge como ameaça e Hal precisa provar que pode ser um dos lanternas protegendo o Planeta Terra dessa ameaça.

O problema maior do filme é de identificação desse personagem com o público, uma vez que o Lanterna Verde não é dos super-heróis mais populares. Na construção desse personagem que precisa, primeiramente, entender aquele novo universo e suas regras (ideia que Hal compra com a maior facilidade), bem como lidar com seus poderes, ele ainda vai receber de cara a tarefa de proteger a Terra de Parallax. Ao mesmo tempo, ele terá de enfrentar o cientista Hector (Peter Saarsgard) que, em contato com forças maléficas de Parallax, vai desenvolver seus próprios poderes, com pretensões de usá-lo para se vingar de todos aqueles que o desprezavam, em especial seu pai (Tim Robbins).

O filme investe num visual que à primeira vista pode parecer exagerado demais na construção de todo aquele universo fantasioso, fazendo saltar aos olhos todo o CGI utilizado, mas assume muito bem essa faceta sem parecer exibido. No entanto, mais uma vez nos filmes recentes, o 3D é totalmente descartável porque quase inexistentem no filme seus efeitos (muito provavelmente o pior uso dessa tecnologia que eu já vi nos cinemas).

As boas cenas de ação se complementam com momentos mais cômicos, tendo em Reynolds um ator com um certo timing, embora perca muito quando seu personagem exige um tom mais dramático. Quando isso acontece, não só a atuação, mas o tom do próprio filme parece caminhar para saídas mais óbvias. Assim, Lanterna Verde não sai do automático, mas pelo menos não parece prometer mais que isso.

2 thoughts on “Super-didático

  1. É, meu caro: apesar de fiel em grande parte, o filme é previsível e fraco demais… Realmente o Lanterna não é muito popular no Brasil, mas é um dos heróis do primeiro escalão da DC! Discordo de você, entretanto, quando se refere numa melhor "narrativa" dos filmes da marvel – depende do filme: Homem-Aranha e Homem-de-Ferro 1 (somente), sim, mas Thor, Hulk (último) e Justiceiro são desastres quase completos em termos cinematográficos… Enfim, deves ser uma marvette, ré, ré!

    Coincidência ou não, falo deste tema na postagem de nova temporada do meu blogue (que tens dificuldade de visitar, ré, ré), mais num espectro maior, mais amplo, sobre os heróis das antigas em geral!

    Abração!

    P.S.: onde se pode conseguir estas estrelinhas que apões nas tuas críticas?!

  2. Dilberto, não que eu seja um ficcionado pela Marvel, na verdade nem sou tão fã assim de quadrinhos, mas se pensarmos nos filmes feitos a partir dos personagens da Marvel, a quantidade de filmes bons é muito maior, em proporção. E discordo de ti quando fala mal de Thor e Hulk, por exemplo, acho bons filmes, o último mais ainda.

    Sobre as estrelinhas, consegui na net mesmo, não me lembro mais onde. Mas se quiser, pode me mandar seu email que te envio.

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