Panorama Coisa de Cinema – Parte III

Antes de partir para os filmes da Competição Nacional, mais algumas coisas vistas no meio do caminho:

Riscado (Idem, Brasil, 2010)
Dir: Gustavo Pizzi

Diferente de muitos trabalhos nacionais exibidos durante o Panorama (e em competição), Riscado, como produção independente, acerta muitíssimo bem ao injetar naturalismo num filme cuja maior força é a história que quer contar, focado numa personagem a quem nos identificamos de cara e por quem passamos a torcer, sem abusar de artifícios estéticos para isso.

Bianca (Karine Teles, esposa do diretor) é uma atriz que faz pequenos trabalhos, desde animação de festas de aniversário fantasiada de Marilyn Monroe, Betty Page e Carmen Miranda, entrega de panfletos nas ruas, além de atuar numa peça de teatro. Mas sua grande oportunidade aparece quando ela é convidada a protagonizar um filme, coprodução entre Brasil e França.

De uma simplicidade incrível, sem cacoetes de filme de alternativo, Riscado acompanha a luta de uma atriz em se firmar no mundo como tal. O maior desafio nesse sentido é ser reconhecida pelos outros dessa forma, e com a dignidade que a profissão exige.

O diretor brinca, sabiamente, com o formato dos quadros do filme. Por vezes ele apresenta cenas em 16 mm ou super 8, o que confere uma atmosfera bastante intimista para esses momentos, reforçando o olhar singelo sobre essa mulher tentando sobreviver com o seu trabalho. É um filme que faz dessa motivação sua maior arma, mesmo que a luta ainda pareça ser bem mais dura de vencer.

Verão de Golias (Verano de Goliat, México/Canadá/Holanda, 2010)
Dir: Nicolás Pereda

Esse filme começa com um registro documental fortíssimo: crianças são entrevistas para falar sobre Golias, um rapaz acusado de ter matado a namorada. Depois disso, o longa ganha contornos ficcionais apresentando outros personagens em situações completamente distintas: uma mulher deixada pelo marido, dois soldados que almejam conseguir armas de fogo para intimidar outras pessoas, etc.

É mais um desses filmes de múltiplas histórias que se entrecruzam ligeiramente pelos laços familiares de uns com os outros. Até aí, nenhum problema (embora a história do garoto acusado de assassinato seja muito melhor do que todas as outras juntas). Mas no fundo, o longa é um grande exemplo de “filme de arte” cheio de pretensões estéticas que se querem alternativas e moderninhas.

Não passa de um grande exercício de estilo em que a narrativa, com planos longuíssimos, filmados com câmera na mão, tenta capturar um certo cotidiano de registro da vida daquelas pessoas sem grande interferência. O problema é que as histórias não engatam, e os conflitos, depois de estabelecidos, permanecem praticamente inalterados. Sobra muita chatice e vazio até o filme terminar. As últimas cenas retomam a história de Golias, justamente aquela que o filme nunca deveria ter abandonado.

3 thoughts on “Panorama Coisa de Cinema – Parte III

  1. Tua terra é bem mais abençoada que a minha em termos de mostras de bons filmes: dificilmente minha São Luís tem acesso a produções mais independentes e/ou interessantes…

    Sobre os heróis: Thor é fraco, porém divertidinho e, sobre Hulk, só gostei do que o Ang Lee fez, bem mais HQ do verdão! Mas concordo com você quanto à tal "superioridade Marvel cinematográfica": até o "redondo", porém insosso Capitão América é melhor do que a média DC (à exceção dos seus dois medalhões, claro)! Mas sobre heróis você tem que ler minha postagem "Quando os heróis dominavam a Terra…" Ah, esqueci que você não comenta por lá, ré, ré!

    Se puderes, manda o 'link' das estrelinhas para o meu 'e-mail': dilbertolrosa@gmail.com

    Abração!

  2. De fato, Kamila, a Teles está muitíssimo bem no filme. Na verdade, a história é toda dela, e ela consegue segurar o filme inteiro. Não à toa, ganhou o prêmio de atriz no Festival do Rio ano passado.

    Dilberto, aqui tem algumas mostras e fesitvais mesmo, mas bem que podia ter um pouco mais. Mas sei que em alguns lugares é bem mais escasso. Sobre os heróis, continuo batento o pé de que Thor é bem resolvido como filme e que os dois do Hulk são muito bons (embora diferentes em suas propostas). Capitão América não vi ainda.

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