Navalha na carne

Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd – The Demon Barber of the Fleet Street, EUA, 2007)
Dir: Tim Burton

Tim Burton é um daqueles cineastas dos quais eu sempre espero o melhor e Sweeney Todd é só a confirmação do talento dele. Mas é claro que sozinho ele nada seria. Com um Johnny Depp bastante seguro (numa das parcerias mais felizes do cinema recente) e nunca afetado, um roteiro coeso fazendo jus ao estilo do Burton e ainda contribuições técnicas incríveis (fotografia, música, direção de arte), o filme não podia ser menos que maravilhoso.

Acusado injustamente pelo perverso juiz Turpin (Alan Rickman, ótimo) de um crime que não cometeu, o barbeiro Benjamim Burker descobre que na verdade o juiz queira tomar para si sua linda esposa e filha. Depois de quinze anos de exílio, ele volta agora como Sweeney Todd para se vingar. E vai contar com o apoio de Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter), antiga proprietária da casa onde ele morava com a família.

O roteiro é bem amarrado e dá conta de desenvolver cada um de seus personagens, mesmo os secundários. Mas são os protagonistas que brilham, perversamente, na tela, caminhando sempre na linha tênue entre o mal e o bem. Mrs. Lovett aceita ajudar mas esconde uma paixão secreta pelo barbeiro, numa personagem difícil e complexa. Nem preciso dizer que Bonham Carter dá conta direitinho de sua persona.

E Depp, sempre talentoso, surge cheio de rancor e com uma frieza cega motivada pelo desejo de vingança. Ninguém escapa de seu ódio, nem mesmo seus parceiros. Mas acima de tudo Sweeney Todd é um personagem trágico, mais até do que imaginamos a princípio.

E é numa Londres sombria e suja onde a trama, cheia de reviravoltas, se desenrola, embalada pelas melodias criadas por Stephen Sondheim, um dos criadores originais do espetáculo da Broadway de onde o filme é adaptado. Mas não há aqui números musicais grandiosos, mas sim o desenvolvimento da história através de canções que confiam no talento de seus atores/intérpretes. Assim como a seqüência final, merece destaque o número em que Todd reencontra suas amigas navalhas – agora suas armas mortais – ao mesmo tempo em que Mrs. Lovett declara o seu amor não correspondido pelo barbeiro.
E a fotografia pesada e dark dá o tom macabro do filme, juntamente com as atitudes perversas de seus personagens (quem seria capaz de rechear suas tortas com carne humana?). Ora, estamos diante de um filme de Tim Burton e mesmo que ele repita a atmosfera sinistra da qual já mostrou em outros trabalhos, o faz aqui como um mestre, se renovando.

4 thoughts on “Navalha na carne

  1. rafael, este é mais um otimo trabalho de fato da dupla Burton/Depp. devemos comemorar esta grande parceria. o filme é bom, mas o musical é horrivel. ja o visual é sem discussoes um dos melhores da atualidade. o burton continua o mesmo e melhorando, e depp esta numa fase a atuar e marcar sua figura a personagens iconicos, vide Edward nas antigas (com burton), sparrow recentemenmte e este Todd, que corre o risco de ficar em nossas mentes…

    tudo isto eu disse la no meu blog, ve la no CINEOBA

    vlwwwwwwwwwwwwwwww

  2. Embora não seja profundamente fã da dobradinha Depp+Burton, não há como negar que desde os anos 90 eles vêm formando um time coeso e apto a entregar bons filmes e performances. Portanto, além disso, a música, a trama e os valores de produção destacados na crítica são motivos mais que suficientes para querer conferir SWEENEY TODD (espero que passe aqui, mas será difícil).

    Cumps.

  3. a parceria burton e deep só têm rendido gardnes sucessos e filmes que curto de montão… esse pelo jeito não vai ser diferente… memso nãos endo muito fã de musicais… espero curti-lo.. ansioso demais em assisti-lo, hehee
    abraços

  4. Vc realmente achou o musical horrível, Cineoba? Eu gostei muito principalmente porque não é algo clássico, espalhafatoso como vários musicais por aí. Existe uma preocupação maior com a trama e os números musicais são perfeitos para cada situação. Enfim. E o visual é realmente magnífico. Estou sem muito tempo para estar acessando os outros blogs, mas assim que puder irei lá.

    Gustavo e Rodrigo, não percam. Burton-Depp não é algo de se perder, principalmente na telona.

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