Viagens cinéfilas

  • Mostra SP, meus melhores
    10 dias de Mostra, 33 filmes vistos. Nada mal. Foi uma boa mostra, porém tive a impressão que já tivemos anos melhores em termos de grandes filmes. Mas não tô reclamando. Houve as habituais surpresas (quem diria, irmãos Dardennes) e aqueles filmes que a gente queria ter gostado mais (ai, seu Eggers). Como a gente gosta de uma lista, segue aqui todos os filmes vistos em ordem de preferência. Criei essa mesma lista lá no Letterboxd pra quem curte. Ainda voltarei a alguns desses filmes para algumas reflexões rápidas, enquanto o Panorama vai proporcionando outras tantas. Agora, à lista:   Synonymes (Nadav Lapid, Israel/França/Alemanha) Parasita (Bong Joon-ho, Coreia do Sul) O Paraíso Deve Ser Aqui (Elia Suleiman, Palestina/França/Turquia) A Vida Invisível (Karim Aïnouz, Brasil/Alemanha) System Crasher (Nora Fingscheidt, Alemanha) O que Arde (Oliver Laxe, França/Espanha/Luxemburgo) História de um Casamento (Noah Baumbach, EUA) Frankie (Ira Sachs, França/Portugal) Technoboss (João [Mais...]
  • Adeus, São Paulo. Alô, São Salvador
    Alquebrado, cheguei a Salvador ontem à tarde e fui direto pra abertura do Panorama Coisa de Cinema. A Mostra de São Paulo passou como um furacão, foram 10 dias de maratona louca, mas deliciosa. Deixei-a lá, no último dia, porque outra jornada começa – mas ainda voltarei à Mostra. Na abertura do Panorama, concorridíssima, Meu Amigo Fela, de Joelzito Araújo, e A Vida Invisível, de Karim Aïnouz. O Glauber Rocha estava fervendo, de gente, de animação, de frenesi pelos dias intensos de cinema que temos pela frente. Vi o filme do Karim lá em São Paulo, entrevistei-o aqui em Salvador esta manhã. Fazemos o que podemos. Karim, articuladíssimo, fala do patriarcado, da sua formação familiar cercado de muitas mulheres, de como se sente confortável em retratar e trafegar por esse universo. Mas avisa: “este não é um filme feminista, mas anti-machista”. A Vida Invisível estreia no próximo dia 21 de novembro. Preparo matéria no A Tarde, aguardem. E o Panorama tá aí, cheio de coisas deliciosas [Mais...]
  • Karim, André, Geovani
    Uma das delícias da Mostra SP, para além dos filmes, são os encontros. Nem precisa marcar, você vai se esbarrar com os amigos e conhecidos – muito deles críticos, outros são amizades que se construíram justamente ao redor do evento no decorrer do tempo. Ou seja, é onde a cinefilia se encontra. Mas eu queria mesmo era falar de um inusitado encontro, descendo apressadamente a R. Augusta em direção ao cinema. André Novais de Oliveira (diretor de Temporada, Ela Volta na Quinta etc), descia também a rua procurando uma loja de discos antigos. Perguntei, intrigado, se ele ou a galera da Filmes de Plástico tinha algum filme na Mostra – porque se tivesse eu tinha  passado batido. Mas não. André me conta que estava em São Paulo trabalhando com Karim Aïnouz. Isso mesmo, os dois estão escrevendo a adaptação do livro O Sol na Cabeça, do jovem Geovani Martins para Karim dirigir. Acho que eu já tinha ouvido falar sobre esse projeto, bom saber que ele está caminhando, ainda mais com a [Mais...]
  • Grandes diretores podem se repetir?
    Tem gente que desce do salto se ouvir alguém dizer que Hong Sang-Soo faz sempre o mesmo filme. Não pode, é heresia. Esse tema dos autores repetindo suas fórmulas causa discussões acaloradas – há quem defenda uma autoralidade constante, há quem se cansa de ver as mesmas estratégias narrativas serem repetidas à exaustão. Me peguei pensando nisso ao assistir, aqui na Mostra SP, a O Jovem Ahmed, filme novo dos irmãos Dardenne. Esses são cineastas que imprimiram uma marca autoral difícil de apagar, mas nos últimos anos já vinham dando sinais de cansaço. Eu, na verdade, gosto de muitas coisas deles mesmo da fase mais-do-mesmo (O Silêncio de Lorna, O Garoto da Bicicleta). Daí com Dois Dias, Uma Noite a coisa vai se complicando, o que chega a níveis indefensáveis em A Garota Desconhecida, filme de roteiro preguiçoso. Mas quando O Jovem Ahmed começa – cena de um adolescente subindo apressadamente as escadas, câmera na mão tentando acompanhá-lo por trás, ausência de trilha sonora – os [Mais...]
  • Adorável Mostra SP
    A Mostra Internacional de Cinema São Paulo, uma de minhas paixões cinéfilas, começou na última quinta-feira. A minha mesmo só começa neste domingo quando chego à capital paulista para viver 10 dias de cinema, (des)encontros, correria, reflexões, pulsões de vida, via imagens e sons. Quando eu era mais jovem (ah, o tempo…) e ainda morava em Vitória da Conquista, acompanhava alguns críticos que peregrinavam em direção à Mostra. O Chico Fireman, por exemplo, eu invejava demais porque ele saía de Salvador só para ver filmes em São Paulo – antes de se mudar pra lá; eu acompanhava a cobertura que ele fazia no blog e achava aquilo demais. Lembro de pensar não só o quanto aquilo era incrível, mas também de que era um sonho impossível para mim, jovem ingênuo. Agora cá estou, crítico, o mundo dá voltas e a Mostra virou caminho de roça. Esta será minha sétima viagem para o evento, num ano difícil para muitos festivais de cinema no Brasil. É uma sorte que a Mostra tenha se viabilizado [Mais...]

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