Palpites Oscar 2017


Como
tradição, seguimos aqui com as apostas das principais categorias para a edição
do Oscar deste ano, jogo na maior parte das vezes previsível, mas ainda assim
divertido. Ficamos à espera de possíveis surpresas na noite. Em negrito, em
cada categoria, aqueles que eu acho que vão vencer, abaixo minha ordem de
preferência entre todos. No final, listo todos os filmes com ao menos uma
indicação que eu vi, em ordem de preferência.
Melhor Filme
A Chegada
Até o Último Homem
Estrelas Além do Tempo
Lion
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós
A Qualquer Custo
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
De modo
geral, uma seleção fraca, com dois ótimos filmes, desses marcantes (Manchester e Moonlight),
com outros bons representantes (La La LandA Qualquer Custo).
Os demais, para mim, são bem dispensáveis. O musical nostálgico comandado por
Chazelle é o incensado da vez, Hollywood elogiando a si mesmo. No entanto, não
há de se descartar uma virada de jogo de Moonlight, o que me
deixaria bem feliz. Na verdade, feliz mesmo eu ficaria se reconhecessem a
maturidade e as sutilezas de Manchester à Beira-Mar.
Ordem de preferência: Manchester
à Beira-Mar
, Moonlight: Sob a Luz do Luar, La La Land: Cantando Estações, A
Qualquer Custo, A Chegada, Um Limite Entre Nós, Até o Último Homem,
Estrelas Além do Tempo, Lion: Uma Jornada para Casa.
Melhor Diretor
Dennis Villeneuve (A Chegada)
Mel Gibson (Até o Último
Homem)
Damien Chazelle (La La
Land: Cantando Estações)
Kenneth Lonergan (Manchester
à Beira-Mar)
Barry Jenkins (Moonlight:
Sob a Luz do Luar)
Trocaria
fácil a competência cambaleante (e sem fôlego no final) de Villeneuve pela
segurança constante de David Mackenzie, de A Qualquer Custo. Mas
não é uma má categoria a partir dos indicados a melhor filme. Mesmo à frente de
um longa cheio de problemas, o trabalho de Gibson como diretor é
surpreendetemente bom. Uma vitória de Chazelle parece inevitável, ele tão
novinho e já com olhar clínico. Mas Jenkins pode surpreender aqui e eu adoraria
ver isso porque ele não esconde certa estilização como encenador, algo que
geralmente descamba para o exibicionismo, mas nunca deixa sua história e seus
personagens em segundo plano, apesar do apuro estético.
Ordem de preferência: Barry
Jenkins
, Kenneth Lonergan, Damien Chazelle, Mel Gibson, Dennis
Villeneuve. 
Melhor Ator
Casey Affleck (Manchester à
Beira-Mar)
Denzel Washington (Um
Limite Entre Nós)
Ryan Gosling (La La Land:
Cantando Estações)
Andrew Garfield (Até o
Último Homem)
Viggo Mortensen (Capitão
Fantástico)
Nas
últimas semanas, as apostas passaram a apontar Washington como vencedor, mesmo
com Affleck ganhando tantos prêmios anteriormente – e mesmo com uma acusação
grave de ter cometido assédio sexual. E por mais que eu goste e admire o
trabalho de Denzel, eu gostaria muito de ver reconhecida uma grande atuação
calcada na sutileza, introspecção e dor que o personagem de Affleck carrega, em
contraponto a certo histrionismo que geralmente é associado a grandes
interpretações. Bom ver também o destaque dado ao competente trabalho de
Mortensen (também sem exageros dramáticos), apesar do filme fraco. E
infelizmente Gosling tem se tornado apenas um rostinho bonito e aqui pega
carona no sucesso do seu filme.
Ordem
de preferência: Casey Affleck, Denzel Washington, Viggo Mortensen,
Andrew Garfield, Ryan Gosling.
Melhor Atriz
Natalie Portman (Jackie)
Emma Stone (La La Land:
Cantando Estações)
Meryl Streep (Florence: Quem é
Essa Mulher?)
Ruth Negga (Loving)
Isabelle Huppert (Elle)
Não há
nada mais potente em termos de atuação feminina do ano passado do que o
trabalho corajoso de Isabelle Huppert. Há quem ainda aposte nela – e seria
lindo ver isso acontecer, ainda mais depois de Verhoeven ter revelado que,
quando Elle estava para ser feito nos EUA, nenhuma atriz
sondada pelo estúdio aceitou fazer o papel. Mesmo assim, ainda acho que a
disputa está entre Watson e Portman, que lá no início da corrida parecia pronta
para receber sua segunda estatueta, que seria mais digna do que a primeira. Mas
a atriz de La La Land parece formatada para ser a nova
queridinha da América, ainda mais com o sucesso do seu filme. Negga é uma
grande surpresa aqui, atuação contida, competente do início ao fim.
Ordem de preferência: Isabelle
Huppert
, Natalie Portman, Ruth Negga, Meryl Streep, Emma Stone. 
Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala
Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Jeff Bridges (A Qualquer
Custo)
Lucas Hedges (Manchester à
Beira-Mar)
Dev Patel (Lion: Uma Jornada
para Casa)
Michael Shannon (Animais
Noturnos)
Pelo
tanto de hype e tantos prêmios acumulados, esperava um pouco
mais da atuação de Ali, franco favorito aqui – e talvez uma forma de consolação
para Moonlight caso saia sem muitos prêmios. Mas o time de atores do filme de
Jenkins funciona muitíssimo bem em conjunto. Assim como estão ótimos os demais
concorrentes aqui, sendo Patel a grande surpresa porque sempre o achei um ator
limitado. Porém ainda prefiro a ternura máscula de Hedges ou a aspereza de
Bridges – ainda que repetindo outros personagens seus. Outro que repete o homem
à beira do abismo existencial é Shannon.
Ordem de preferência: Lucas
Hedges
, Jeff Bridges, Mahershala Ali, Michael Shannon, Dev Patel.
Melhor Atriz Coadjuvante
Viola Davis (Um Limite Entre
Nós)
Naomi Harris (Moonlight: Sob a
Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion: Uma
Jornada para Casa)
Octavia Spencer (Estrelas Além do
Tempo)
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Chegou
a vez de Viola Davis e ninguém tira esse Oscar dela. Já passou da hora, aliás.
Grita-se e esbraveja-se muito em Um Limite Entre Nós, algo que
geralmente me afasta, mas o filme abaixa o tom lá pela metade, e Davis pode
revelar, em todos os tons, domínio e entendimento total de seu ofício. Do que
sobra, Harris está ótima, minha segunda escolha. Sobre Williams aparecer pouco
no filme, acho isso uma bobagem, até porque a categoria de coadjuvantes serve
para isso. Mais me interessa o quão marcante um ator consegue ser, a despeito
de quanto tempo fica em cena. E a aparição de Williams nesse filme me marca.
Coisa que Spencer, por exemplo, não faz.
Ordem de preferência: Viola
Davis
, Naomi Harris, Michelle Williams, Nicole Kidman, Octavia Spencer.
Melhor Roteiro Original
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
A Qualquer Custo
O Lagosta
Mulheres do Século 20
Difícil
entender a indicação de La La Land aqui. Tem o doentinho A
Lagosta
, indicação inusitada e mesmo corajosa. Ainda que goste muito de A
Qualquer Custo
, não me parece um filme tão forte como roteiro. A aposta
mais certeira é a consolação para Manchester à Beira-Mar, um dos
grandes filmes do ano, lidando com muita maturidade com o tanto de dor e
complexidade que existe na relação entre aqueles sujeitos. Mas o musical de
Chazelle pode surpreender, engrossando a enxurrada de prêmios que vai levar.
Seria injusto, mas não impossível.
Ordem
de preferência: Manchester à Beira-Mar, A Qualquer Custo, La La
Land: Cantando Estações, O Lagosta.
Melhor Roteiro Adaptado
Moonlight: Sob a Luz do
Luar 
Lion: Uma Jornada para Casa
Um Limite Entre Nós
Estrelas Além do Tempo
A Chegada
Essa
pode muito bem ser a consolação para A Chegada e seu sci-fi existencial
– se não fosse o rocambole desastroso que vira o ato final do filme, seria
muito bem merecido. Mas Moonlight é o grande adversário de La
La Land
, o que aumenta suas chances aqui, além de ser extremamente superior
aos seus concorrentes. Os demais indicados cumprem tabela.
Ordem de preferência: Moonlight:
Sob a Luz do Luar
, Um Limite Entre Nós, A Chegada, Lion: Uma Jornada para
Casa, Estrelas Além do Tempo. 
Melhor Animação
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras 
Minha Vida de Abobrinha
A Tartaruga Vermelha
Zootopia
Zootopia é a aposta mais certeira, vem ganhando tudo por onde
passa. Seria muito bonito ver uma vitória do belíssimo A Tartaruga
Vermelha
 – apesar de fugir do classicismo básico que a Academia adora.
Até mesmo Kubo e as Cordas Mágicas seria uma belo escape da
sempre zona de conforto representada pela dupla Disney-Pixar.
Ordem
de preferência: A Tartaruga Vermelha, Kubo e as Cordas Mágicas,
Moana: Um Mar de Aventuras
Melhor Filme em Língua
Estrangeira
Land of Mine
Um Homem Chamado Ove
O Apartamento
Tanna
Toni Erdmann
Vi
pouquíssimos filmes aqui. Mas a disputa está entre Toni Erdmann e O
Apartamento
. O primeiro era o franco favorito há muito tempo, filme super
reverenciado pela crítica, aclamado por uma série de premiações de fim de ano. Mas
toda a discussão política em torno do veto de Trump à entrada de muçulmanos em
solo norte-americano acende o caráter militante dos votantes e O Aparatamento é
hoje a aposta mais certa, além de que Farhadi é conhecido da Academia, tendo já
vencido essa mesma categoria anteriormente.
Ordem
de preferência: Toni Erdmann, O Apartamento.
Melhor Documentário
Fogo no
Mar
Eu Não Sou Seu Negro
Life, Animated
O.J.: Made in America
A 13ª Emenda
Não vi
a série que foi lançada nos cinemas para se tornar apta a concorrer ao Oscar
(convenhamos que seja um movimento bastante discutível esse). Mas parece que a
estratégia deu certo e O. J.: Made in America segue favorito a
levar a estatueta, o que seria inédito para uma série televisiva. Não
reclamaria de uma vitória de Eu Não Sou Seu Negro, belíssimo ensaio
histórico e íntimo, também com foco na discussão racial.
Ordem
de preferência: Eu Não Sou Seu Negro, Fogo no Mar.
Todos
os filmes no mesmo saco:
Elle
****½
Manchester
à Beira-Mar ****
Moonlight:
Sob a Luz do Luar ****
Toni
Erdmann ****
Eu Não
Sou Seu Negro ****
La La
Land: Cantando Estações ***½  
A
Qualquer Custo ***½
Jackie
***½
A
Tartaruga Vermelha ***½
O
Apartamento ***
Sully:
O Herói do Rio Hudson ***
Loving
***
A
Chegada ***
Rogue
One: Uma História Star Wars ***
Kubo e
as Cordas Mágicas ***
Um
Limite Entre Nós ***
Fogo no
Mar ***
Ave,
Cesar! ***
Passageiros
**½
Estrelas
Além do Tempo **½
O Lagosta **½
Até o Último Homem **½
Moana:
Um Mar de Aventuras **½
Esquadrão
Suicida **½
Florence:
Quem é Essa Mulher? **½
Mogli
**½
Capitão
Fantástico **½
Animais
Noturnos **
Lion:
Uma Jornada para Casa **

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